Cachorro mancando da pata traseira pode estar com um problema no joelho ou no quadril. Entre as causas possíveis estão a ruptura do ligamento cruzado, a luxação de patela, a displasia coxofemoral e, em cães pequenos e jovens, a necrose asséptica da cabeça do fêmur. Só a avaliação veterinária consegue dizer o que está acontecendo. Até lá, evite saltos e escadas e não medique o cão por conta própria.
A boa notícia é que existe caminho: essas doenças têm tratamento com e sem cirurgia, e a fisioterapia com veterinário fisiatra faz parte dos dois.
Pode ser ligamento cruzado, luxação de patela ou displasia?
Ruptura do ligamento cruzado
A ruptura do ligamento cruzado é uma das lesões ortopédicas mais frequentes no joelho dos cães. Na maioria das vezes, ela vem de um desgaste lento do próprio ligamento, e não de um acidente; a obesidade está entre os fatores que contribuem.
- Cachorro mancando de uma pata, às vezes quase sem apoiá-la no chão, mesmo sem demonstrar dor.
- Ao sentar, tenta dobrar o joelho o mínimo possível.
- Coxa mais fina (perda de músculo) e joelho inchado.
- Clique ou estalo ao andar ou saltar, em alguns casos, que pode indicar lesão no menisco, presente em cerca de metade dos casos.
A maior incidência é entre 2 e 10 anos, com mais risco em raças médias, grandes e gigantes, como Rottweiler, Labrador, Buldogue e Boxer. A lesão pode aparecer também na outra pata traseira: o envolvimento das duas é descrito em 40 a 60% dos animais.
Luxação de patela
A patela é o ossinho que desliza num sulco na frente do joelho. Na luxação de patela, ela sai desse trilho, quase sempre para o lado de dentro. Cães de pequeno porte têm 12 vezes mais risco do que os de grande porte, e as fêmeas são mais afetadas.
- Manca de vez em quando.
- Dá um “coice”: estica a pata traseira para trás, movimento com o qual muitos cães fazem a patela voltar ao lugar.
- Dor ao toque e joelho levemente inchado.
- Coloca menos peso na pata, que perde músculo.
A luxação pode passar despercebida por anos, e alguns cães só começam a mancar quando surge a artrose ou quando o ligamento cruzado se rompe. Entre as raças mais afetadas estão Poodle, Pomeranian (Spitz Alemão Anão), Yorkshire Terrier, Chihuahua, Buldogue Francês, Lhasa Apso, Pug e Shih Tzu.
Displasia coxofemoral
A displasia coxofemoral é um desenvolvimento anormal do quadril, que fica frouxo e, com o tempo, se desgasta. Tem forte influência genética e aparece principalmente em raças grandes e gigantes de crescimento rápido, como Pastor Alemão, Rottweiler, Labrador, São Bernardo e Golden Retriever, mas também há relatos em Pugs, Buldogues e alguns Terriers.
- Manca de uma ou das duas patas traseiras.
- Dificuldade para levantar depois de descansar e para subir escadas e rampas.
- Passos curtos e rígidos, às vezes rebolando ou saltitando.
- Quadril e coxas mais finos, enquanto as patas da frente ganham músculo por receber mais peso.
Em cães de 4 a 12 meses, os sinais costumam surgir de forma súbita; nos adultos, estão ligados ao desgaste da articulação. Alguns cães quase não mostram sinais.
Necrose asséptica da cabeça do fêmur (cães pequenos e jovens)
Também chamada de doença de Legg-Calvé-Perthes, a necrose asséptica acontece quando falha a circulação de sangue na cabeça do fêmur, a “bola” do quadril, que se deforma. Afeta principalmente raças toy e terriers, como Yorkshire Terrier, West Highland White Terrier, Poodle Toy, Pug e Lhasa Apso, em geral entre 4 e 11 meses.
O mancar costuma começar devagar e ir piorando, em geral em uma pata só. A perda de músculo é a queixa mais frequente, e alguns cães ficam irritados, comem menos ou lambem muito a região. Nos casos mais graves, o cachorro não apoia a pata traseira.
Outras causas possíveis
Mancar é um sinal, não um diagnóstico. O Tratado lista outros problemas que precisam ser diferenciados:
- lesão no menisco sem ruptura do ligamento cruzado;
- ruptura do ligamento cruzado caudal, rara em cães e ligada a traumas;
- luxação do quadril por trauma e fraturas;
- infecção na articulação (artrite séptica) e tumores;
- outras alterações de ossos e articulações, como panosteíte, osteocondrose e osteocondrite dissecante;
- síndrome compressiva da cauda equina, que envolve os nervos do final da coluna.
Se, além de mancar, o seu cão perde força ou arrasta as patas, veja o guia sobre cachorro arrastando as patas.
Quando procurar o veterinário
Procure avaliação veterinária se o seu cão:
- continua mancando ou o problema vai e volta;
- não apoia a pata traseira no chão;
- tem o joelho inchado ou sente dor ao ser tocado;
- está perdendo músculo em uma das coxas;
- é filhote ou jovem e começou a mancar.
Se o cão começou a mancar depois de um trauma, como atropelamento ou queda, procure atendimento o quanto antes.
Até a avaliação: evite saltos, corridas, escadas e subir no sofá, e nunca medique o seu animal por conta própria.
Pelos sinais observados em casa não é possível saber qual é a causa. Exames, tratamento e tempo de recuperação são definidos pelo veterinário para cada caso.
Como a fisioterapia ajuda
A fisioterapia, conduzida por um veterinário fisiatra, ajuda a controlar a dor e a inflamação, recuperar o movimento, ganhar músculo e força e devolver qualidade de vida ao cão. Ela faz parte do tratamento com e sem cirurgia, inclusive no preparo antes da cirurgia e na reabilitação depois dela, sempre em parceria com a equipe que acompanha o caso.
A avaliação do fisiatra olha o corpo inteiro: o cão que poupa as patas de trás joga mais peso nas da frente e pode desenvolver contraturas e dor em outras regiões, inclusive na coluna. Veja também o guia sobre cachorro com dor na coluna.
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A rede Mundo à Parte tem mais de 100 unidades em 9 países, com veterinários fisiatras preparados para avaliar o seu cão e conduzir a reabilitação em parceria com o veterinário que já acompanha o caso.
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Perguntas frequentes
Meu cachorro manca da pata traseira, mas não parece sentir dor. Pode ser sério?
Pode. Na ruptura do ligamento cruzado, o cão pode mancar sem dor, só pela instabilidade do joelho, e a luxação de patela pode passar despercebida por anos. Mesmo sem dor aparente, vale procurar avaliação veterinária.
Por que meu cachorro estica a pata traseira para trás de repente?
Esse “coice” é observado em cães com luxação de patela: com ele, muitos conseguem fazer a patela voltar ao lugar. Só a avaliação veterinária confirma a causa.
Filhote mancando da pata traseira: o que pode ser?
Em cães pequenos de 4 a 11 meses, uma das possibilidades é a necrose asséptica da cabeça do fêmur. Em raças grandes, a displasia coxofemoral pode dar sinais entre 4 e 12 meses. A luxação de patela também costuma surgir durante o crescimento.
Gato mancando da pata traseira pode ter as mesmas doenças?
Algumas, sim. A luxação de patela afeta cães e gatos, e a displasia coxofemoral também ocorre em gatos, principalmente Maine Coon, Persa e Himalaia. Nos gatos, os sinais incluem ficar mais parado, relutar em saltar e mancar das patas traseiras.
Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Fonte: Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais (2ª ed.), capítulos Insuficiência do Ligamento Cruzado Cranial e Lesão de Menisco, Luxação de Patela e Afecções da Articulação Coxofemoral.