O Rottweiler é uma raça de cão de origem alemã, de porte grande e musculoso, que o Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais cita entre as raças predispostas a três condições que afetam o movimento: a displasia coxofemoral, a ruptura do ligamento cruzado cranial e a hérnia de disco.
Este guia tem três partes. Primeiro, quem é o Rottweiler. Depois, o que a ciência diz sobre o quadril, os joelhos e a coluna da raça, e quais sinais merecem atenção. Por fim, como o veterinário fisiatra atua na recuperação.
De onde vem o Rottweiler?
O Rottweiler surgiu no sul da Alemanha, na região da cidade de Rottweil, que dá nome à raça. Acredita-se que ele descenda dos cães que conduziam e guardavam os rebanhos que acompanhavam as tropas romanas.
Em Rottweil, a raça ficou conhecida como o cão dos açougueiros: conduzia o gado até o mercado, puxava carroças e protegia o dinheiro das vendas. Com o fim do transporte de gado a pé, passou a trabalhar como cão de polícia, de guarda e de companhia.
Como é o temperamento do Rottweiler?
- Confiante e calmo: costuma observar antes de reagir.
- Leal e protetor: é muito ligado à família e tem instinto de guarda.
- Reservado com estranhos: não costuma fazer festa para quem não conhece.
- Inteligente e trabalhador: aprende rápido e gosta de ter uma função.
- Carinhoso com os seus: apesar da fama de bravo, costuma ser dócil e brincalhão com quem convive.
Quais cuidados básicos o Rottweiler pede no dia a dia?
- Socialização desde filhote: conviver com pessoas, sons, lugares e outros cães ajuda a formar um adulto equilibrado.
- Educação com reforço positivo e constância: regras claras, petisco e elogio funcionam melhor que bronca.
- Atividade física e mental todos os dias: passeios, brincadeiras e tarefas de obediência gastam a energia de um cão criado para trabalhar.
- Pelagem simples: o pelo é curto e denso, com subpelo. Uma escovação semanal costuma bastar, com mais frequência na época da troca de pelo.
- Supervisão com crianças pequenas: pela força e pelo tamanho, as brincadeiras precisam de um adulto por perto.
Os cuidados com o quadril, os joelhos e a coluna ficam na próxima seção, que se baseia exclusivamente no Tratado.
Quais são as doenças mais comuns no Rottweiler — e como a reabilitação ajuda?
Nos capítulos do Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais que servem de base a este artigo, o Rottweiler é citado pelo nome em três condições:
| Condição | O que o Tratado diz sobre o Rottweiler | Sinal que o tutor costuma notar |
| Displasia coxofemoral (quadril) | Está entre as principais raças acometidas | Dificuldade para se levantar depois do descanso e relutância em se exercitar |
| Ruptura do ligamento cruzado cranial (joelho) | Está entre as raças com maior risco | Mancar de uma pata traseira e evitar dobrar o joelho ao sentar |
| Hérnia de disco (coluna) | Aparece entre as raças com hérnia por desgaste lento do disco e é uma das mais predispostas no espaço entre as vértebras C6 e C7, na parte baixa do pescoço | Dor e rigidez no pescoço e mancar de uma pata da frente |
O que é a displasia coxofemoral e por que o Rottweiler é predisposto?
A displasia coxofemoral é um desenvolvimento anormal da articulação do quadril. A articulação fica frouxa e instável e, com o tempo, surge o desgaste da articulação, chamado de doença articular degenerativa.
No capítulo “Afecções da Articulação Coxofemoral”, escrito por Bruno Watanabe Minto, Fernando Yoiti Kitamura Kawamoto, Guilherme Galhardo Franco e Alefe Luiz Caliani Carrera, a displasia é descrita como uma doença hereditária, com forte influência genética, que se manifesta principalmente em cães de raças grandes a gigantes, de crescimento rápido. O Rottweiler aparece entre as principais raças acometidas, ao lado de Pastor Alemão, Labrador Retriever, Mastiff, São Bernardo e Golden Retriever.
O cão predisposto nasce com o quadril normal e se torna displásico com o tempo. Além dos genes, o capítulo destaca fatores externos que influenciam o aparecimento e a intensidade da doença:
- alimentação em excesso;
- ganho de peso rápido;
- castração precoce;
- suplementação de cálcio.
Quais sinais de displasia o tutor percebe?
- dificuldade para se levantar depois de descansar;
- relutância em se exercitar e dificuldade para subir escadas e rampas;
- manqueira de uma ou das duas patas traseiras;
- passos curtos e rígidos, com o peso jogado para as patas da frente;
- quadril que balança ao andar (o “rebolado”) ou andar saltitando;
- perda de músculo ao redor do quadril, principalmente nos glúteos;
- dor quando o quadril é movimentado.
Em cães jovens, de 4 a 12 meses de idade, os sinais costumam aparecer de forma aguda e vêm principalmente da frouxidão da articulação. Depois dos 12 meses, os sinais são parecidos, mas passam a estar ligados ao desgaste da articulação. Em alguns cães, os sinais são ausentes ou muito discretos, e a displasia só é descoberta em uma radiografia.
A displasia é grave?
A doença progride ao longo do tempo. Nos casos avançados, músculos ao redor do quadril podem ficar contraídos e gerar dor. Como o quadril dói, o cão passa a sobrecarregar as patas da frente e a coluna: o capítulo de reabilitação cita, entre as alterações mais observadas nas patas da frente, contratura do tríceps, inflamação do tendão do bíceps e artrose no cotovelo.
A notícia boa: segundo o Tratado, aproximadamente 75% dos pacientes com desgaste discreto voltam a andar de forma próxima ao normal com o tratamento clínico combinado, sem cirurgia. Nos outros 25%, a cirurgia se torna necessária.
O capítulo do ligamento cruzado lembra ainda que a displasia coxofemoral muitas vezes aparece junto com a ruptura do ligamento cruzado.
O que é a ruptura do ligamento cruzado e por que o Rottweiler está no grupo de risco?
O ligamento cruzado cranial fica dentro do joelho. Ele impede que a tíbia deslize para a frente em relação ao fêmur e limita a rotação da tíbia para dentro e a extensão exagerada do joelho. No cão, a ruptura raramente vem de um trauma: na maioria das vezes, é consequência de um desgaste crônico do próprio ligamento.
No capítulo “Insuficiência do Ligamento Cruzado Cranial e Lesão de Menisco”, de Eloy Curuci e Wendell Barboza, o risco de ruptura do ligamento cruzado cranial é maior nas raças médias, grandes e gigantes, o que inclui Rottweilers, Labradores, Buldogues e Boxers. O capítulo também aponta:
- maior incidência entre 2 e 10 anos de idade;
- chances significativamente maiores em machos castrados e fêmeas esterilizadas do que em cães não castrados;
- obesidade, formato da tíbia e doenças imunomediadas como condições que contribuem para o desgaste do ligamento.
Quais sinais de problema no ligamento cruzado o tutor percebe?
- manqueira de uma pata traseira, às vezes com apoio mínimo ou sem apoio;
- ao sentar, o cão tenta dobrar o joelho afetado o mínimo possível;
- perda de músculo na coxa;
- em alguns casos de lesão de menisco, um estalo ao andar ou saltar;
- em casos crônicos, aumento de volume na parte de dentro do joelho.
Nem sempre há dor: o cão pode mancar só por causa da instabilidade do joelho.
A ruptura do ligamento cruzado é grave?
A ruptura pode ser parcial ou total. A instabilidade do joelho leva a alterações degenerativas progressivas em poucas semanas e costuma lesionar o menisco, uma cartilagem que amortece o joelho. A lesão de menisco aparece em aproximadamente 50% dos casos de ruptura.
Por isso o Tratado justifica o reparo cirúrgico, que tem taxa de sucesso clínico de aproximadamente 90%, qualquer que seja a técnica. O tratamento conservador (repouso, medicação e fisioterapia) apresentou bons resultados em cães com menos de 15 kg.
Atenção à outra pata. O Tratado registra envolvimento dos dois joelhos em 40 a 60% dos animais. A pata que não lesionou recebe mais carga durante a recuperação, o que favorece a ruptura também desse lado.
Como a hérnia de disco aparece no Rottweiler?
Os discos intervertebrais são “almofadas” entre as vértebras que amortecem os movimentos de caminhar, saltar e correr. A hérnia de disco acontece quando o disco avança para dentro do canal da coluna e comprime a medula espinhal ou as raízes dos nervos.
No capítulo “Doença do Disco Intervertebral”, de Jennifer Hummel, o Rottweiler está entre as raças não condrodistróficas que mais aparecem na rotina com hérnias do tipo protrusão. Não condrodistróficas são as raças que não têm a alteração genética de crescimento dos ossos ligada às patas curtas e à calcificação precoce dos discos.
- Como é a protrusão: o disco se desgasta aos poucos ao longo da vida, perde a capacidade de amortecer e se projeta para dentro do canal, comprimindo a medula de forma lenta e crônica. Os sinais aparecem gradualmente.
- Quando começa: nessas raças, o desgaste do disco é mais tardio e é visto a partir dos 5 anos de idade. Os sinais aparecem em idade média de 6 a 8 anos.
- Onde aparece: com mais frequência na transição entre o pescoço e o tórax e na região lombossacra, no final da coluna.
- O ponto do Rottweiler: em todas as raças, os espaços entre as vértebras C5 e C6 e entre C6 e C7 concentram mais casos no pescoço. As raças não condrodistróficas, especialmente o Labrador e o Rottweiler, são as mais predispostas ao espaço entre C6 e C7.
Quais sinais de hérnia de disco o tutor percebe?
Quando a hérnia é no pescoço:
- dor intensa, muitas vezes com gritos ou gemidos e resistência para se mexer;
- pescoço rígido;
- tremores musculares;
- manqueira de uma pata da frente, com perda rápida de músculo nesse membro;
- lambedura excessiva dos dedos, que nos casos mais intensos pode chegar à automutilação;
- em compressões maiores, andar descoordenado e fraqueza nas quatro patas.
Quando a hérnia é no final da coluna:
- dor intensa;
- manqueira de uma pata traseira, que pode ser confundida com um problema ortopédico;
- conforme a gravidade, perda de tônus da cauda e alterações no controle da urina e das fezes.
Quando a hérnia de disco é urgente?
A gravidade depende da quantidade de material do disco que entra no canal da coluna e da velocidade com que ele atinge a medula. A cirurgia é mais comumente realizada quando há dor intensa e persistente ou quando o cão não consegue andar. Se o cão perde a sensibilidade à dor profunda, a cirurgia deve acontecer o mais rápido possível. Só o veterinário consegue avaliar essa sensibilidade, e por isso qualquer perda de força nas patas pede avaliação imediata.
Como a reabilitação com o veterinário fisiatra ajuda o Rottweiler?
A reabilitação não disputa espaço com a cirurgia. O primeiro passo é o diagnóstico exato e o estágio da doença. A escolha entre tratamento conservador e cirúrgico cabe à equipe que cuida do cão, e a reabilitação entra nos dois caminhos: como centro do tratamento conservador ou antes e depois da cirurgia.
| Condição | O que a reabilitação busca | Recursos citados no Tratado |
| Displasia coxofemoral | Reduzir dor e inflamação, ganhar músculo para estabilizar o quadril, tratar contraturas e compensações nas patas da frente e na coluna | Magnetoterapia (campos eletromagnéticos pulsados), fotobiomodulação (laserterapia), ultrassom terapêutico, esteira aquática e exercícios |
| Ruptura do ligamento cruzado | Preparar o membro antes da cirurgia, recuperar músculo, amplitude de movimento e controle motor depois dela e proteger a outra pata | Fotobiomodulação, magnetoterapia, ultrassom terapêutico, massagem, infrassom e exercícios de propriocepção |
| Hérnia de disco | Controlar a dor, modular a inflamação, recuperar força, equilíbrio e propriocepção (a noção de onde está cada pata) | Fotobiomodulação, magnetoterapia, cinesioterapia (exercícios terapêuticos) e esteira aquática quando a dor estiver controlada |
Como a reabilitação ajuda o quadril com displasia?
No capítulo “Reabilitação da Coxofemoral”, de Gustavo Vicente e Jennifer Hummel, o tratamento conservador tem quatro objetivos:
- reduzir a dor e a inflamação da articulação;
- melhorar a composição do líquido da articulação, o que diminui a pressão na cápsula e ajuda a aliviar a dor;
- ganhar massa muscular para estabilizar o quadril, principalmente nos glúteos e nos músculos da parte de trás da coxa;
- tratar as contraturas e os pontos-gatilho (nós musculares dolorosos) que atrapalham a marcha e favorecem a dor crônica.
Com a dor controlada, o cão volta a apoiar a pata, o que ajuda no ganho de músculo. Depois vêm os exercícios de força e resistência, com desafio crescente. A esteira aquática deve ser considerada assim que a dor aliviar.
Entre os recursos, a magnetoterapia é apontada como essencial para controlar a evolução do desgaste da articulação. A fotobiomodulação (laserterapia) ajuda a preservar a articulação, e o ultrassom terapêutico alivia a dor e melhora a mobilidade.
O tratamento conservador da displasia pode ser feito em todos os pacientes, qualquer que seja o porte e a gravidade. O objetivo é dar conforto, reduzir a dor e devolver as atividades básicas do dia a dia. Como a melhora nem sempre é fácil de ver, o veterinário fisiatra acompanha a evolução pelo exame físico, pela medida dos ângulos das articulações e pela medida da coxa. Em casa, o tutor costuma notar um cão mais disposto e ativo, comendo melhor, querendo subir e descer do sofá e do carro e voltando a atividades que tinha abandonado.
Quando há cirurgia, a fisioterapia segue o objetivo de cada técnica. Em uma delas, a denervação, os autores do capítulo cirúrgico recomendam fisioterapia antes e depois do procedimento.
Como a reabilitação ajuda o joelho com ligamento cruzado rompido?
No capítulo “Reabilitação na Insuficiência do LCC”, de Gustavo Vicente e Jennifer Hummel, a reabilitação é individualizada conforme a instabilidade, a fase da inflamação, o tempo de lesão e a saúde geral do cão.
- Avaliação: o veterinário fisiatra observa o apoio da pata, a dor ao mobilizar o joelho, as contraturas e a perda de músculo, e investiga problemas associados, como lesão de menisco e luxação de patela. A medida da coxa e dos ângulos do joelho permite acompanhar a evolução com números.
- Antes da cirurgia: a chamada pré-reabilitação reduz dor e inflamação, fortalece o quadríceps e prepara a pata do outro lado, que carrega mais peso. Massagem profunda e infrassom tratam contraturas, e a fotobiomodulação e a magnetoterapia são essenciais para controlar a inflamação.
- Depois da cirurgia: ultrassom terapêutico, magnetoterapia e fotobiomodulação entram desde os primeiros dias. O protocolo inclui exercícios de propriocepção e controle motor e fortalece os músculos que estabilizam o joelho, além de prevenir fibrose, contraturas e perda de movimento.
- Prazos de referência: nas técnicas com fio ou fáscia, espera-se que o cão apoie a pata em até 20 dias. Nas osteotomias (cirurgias que corrigem o ângulo do osso), o apoio começa entre 1 e 15 dias. Se isso não acontece, o veterinário fisiatra orienta uma revisão com o ortopedista.
- Retorno às atividades: atividades de alto impacto ficam restritas nos primeiros 90 dias depois da cirurgia, em qualquer técnica.
Quando a cirurgia não é possível, por idade, risco anestésico ou decisão da família, o tratamento conservador pode ser a única opção. Nesses casos, o capítulo recomenda uma conversa clara com o tutor sobre as expectativas e reavaliações periódicas.
Como a reabilitação ajuda na hérnia de disco?
No capítulo “Reabilitação da Doença do Disco Intervertebral”, de Jennifer Hummel:
- Triagem: uma radiografia simples ajuda a descartar causas que mudariam o plano, como tumores na vértebra, infecção do disco, fraturas e luxações. Ela não substitui a tomografia ou a ressonância quando esses exames são indicados.
- Fase inicial: nos casos em que o tratamento conservador é indicado, a reabilitação pode ser suficiente para controlar a dor, reduzir a contração muscular e favorecer a recuperação.
- Hérnia no pescoço: a recuperação pode ser mais longa. Com sessões a cada 48 horas, a maioria dos cães mostra melhora discreta a moderada ao final da segunda semana. Mesmo com o cão aparentemente melhor, pulos em móveis, escadas e brincadeiras intensas ficam restritos por cerca de 20 a 30 dias a partir do início da crise. Natação e esteira aquática ficam de fora enquanto houver dor.
- Parte baixa do pescoço: lesões entre C6 e T2, região que inclui o espaço entre C6 e C7, levam a uma perda rápida de músculo nas patas da frente, e o plano de exercícios leva isso em conta.
- Depois da cirurgia: a reabilitação continua fundamental, com fotobiomodulação e magnetoterapia para modular a inflamação e com exercícios para recuperar sustentação, equilíbrio, força e resistência.
- Final da coluna: a protrusão costuma atingir cães de médio e grande porte com mais de seis anos e evolui de forma crônica, por isso a resposta tende a ser mais lenta. A melhora pode vir aos poucos, ao longo de semanas ou meses. Com honestidade: em alguns cães, os ganhos principais são menos dor, mais qualidade de vida e mais funcionalidade, sem necessariamente recuperar toda a marcha.
- Exercícios: a cinesioterapia é o centro da recuperação, nas sessões e em casa, sob orientação do veterinário fisiatra. Em cães mais velhos, o ideal são séries com menos repetições distribuídas ao longo do dia, para não causar fadiga.
De onde vêm as informações deste artigo?
Os dados de saúde deste texto vêm do Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, dos autores Jennifer Hummel, veterinária fisiatra e Fundadora da Mundo à Parte, e Gustavo Vicente, médico-veterinário especializado em fisioterapia e ortopedia, também Fundador. Foram usados os capítulos “Afecções da Articulação Coxofemoral”, de Bruno Watanabe Minto, Fernando Yoiti Kitamura Kawamoto, Guilherme Galhardo Franco e Alefe Luiz Caliani Carrera; “Reabilitação da Coxofemoral”, de Gustavo Vicente e Jennifer Hummel; “Insuficiência do Ligamento Cruzado Cranial e Lesão de Menisco”, de Eloy Curuci e Wendell Barboza; “Reabilitação na Insuficiência do LCC”, de Gustavo Vicente e Jennifer Hummel; e “Doença do Disco Intervertebral” e “Reabilitação da Doença do Disco Intervertebral”, de Jennifer Hummel.
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Quais são as dúvidas mais comuns dos tutores de Rottweiler?
Todo Rottweiler vai ter displasia coxofemoral?
Ter predisposição não é o mesmo que ter a doença. Segundo o Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, a displasia tem causa multifatorial: nos cães predispostos, vários genes se expressam junto com características do próprio cão e influências do ambiente. O Rottweiler está entre as principais raças acometidas, e o cão predisposto nasce com o quadril normal e se torna displásico com o tempo.
O que o tutor pode fazer para diminuir o risco de displasia no filhote?
O Tratado aponta quatro fatores externos que influenciam o aparecimento e a intensidade da displasia: alimentação em excesso, ganho de peso rápido, castração precoce e suplementação de cálcio. Converse com o veterinário antes de suplementar e antes de decidir a idade da castração.
Com que idade aparecem os sinais da displasia?
A idade varia. Em cães de 4 a 12 meses, os sinais costumam ser agudos e vêm da frouxidão da articulação. Depois dos 12 meses, os sinais são parecidos, mas ligados ao desgaste da articulação. Alguns cães quase não mostram sinais, e a displasia aparece só na radiografia.
Se o Rottweiler rompeu o ligamento cruzado de um joelho, o outro corre risco?
Sim. O Tratado registra envolvimento dos dois joelhos em 40 a 60% dos animais. Durante a recuperação, a pata que não lesionou fica sobrecarregada, e por isso a reabilitação também cuida dela.
A fisioterapia substitui a cirurgia?
Depende da condição, e as duas não competem. Na displasia com desgaste discreto, aproximadamente 75% dos pacientes voltam a andar de forma próxima ao normal com o tratamento clínico combinado; nos outros 25%, a cirurgia é necessária. No ligamento cruzado, a instabilidade justifica o reparo cirúrgico, e a reabilitação entra antes, para preparar o membro, e depois, para recuperar músculo e movimento. Na hérnia de disco, o tratamento conservador com fisioterapia tem resultados favoráveis quando o cão ainda anda bem, e a reabilitação continua fundamental depois da cirurgia.
Com que idade a hérnia de disco costuma aparecer no Rottweiler?
Nas raças não condrodistróficas, grupo do Rottweiler, o desgaste do disco é visto a partir dos 5 anos de idade, e os sinais aparecem em idade média de 6 a 8 anos. Como a protrusão comprime a medula aos poucos, os sinais surgem de forma gradual.
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