Pastor Alemão: displasia, hérnia de disco e reabilitação

O Pastor Alemão é uma raça de cão de pastoreio criada na Alemanha e hoje reconhecida no mundo todo como cão de trabalho, de guarda e de família, graças à inteligência, à lealdade e à facilidade de aprendizado.

De onde vem o Pastor Alemão e como é o temperamento da raça?

A raça nasceu para conduzir e proteger rebanhos no campo. A mesma combinação de foco, resistência e vontade de trabalhar em parceria com as pessoas levou o Pastor Alemão para funções como faro, busca e resgate, trabalho policial e condução de pessoas com deficiência visual.

No dia a dia, é um cão:

  • Leal e muito ligado à família, que gosta de ficar perto do tutor.
  • Inteligente e rápido para aprender, o que torna o adestramento prazeroso para os dois lados.
  • Protetor e atento, com tendência natural a vigiar a casa.
  • Ativo, que precisa gastar energia e ter desafios para a mente.

Quais cuidados básicos o Pastor Alemão precisa no dia a dia?

  • Atividade com propósito: passeios diários, brincadeiras de buscar e exercícios de obediência gastam energia e fortalecem o vínculo.
  • Estímulo mental: brinquedos interativos, jogos de faro e comandos novos evitam o tédio.
  • Socialização desde filhote: contato tranquilo com pessoas, outros animais, sons e ambientes ajuda a formar um adulto equilibrado.
  • Adestramento com reforço positivo: a raça responde bem a recompensas e a uma rotina clara.
  • Escovação frequente: a pelagem dupla troca bastante ao longo do ano e pede escovação regular.

Quais são as doenças mais comuns no Pastor Alemão — e como a reabilitação ajuda?

No Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, o Pastor Alemão aparece pelo nome em dois capítulos de doenças: o da displasia coxofemoral, que afeta o quadril, e o da doença do disco intervertebral (hérnia de disco), que afeta a coluna. Nos dois casos, o diagnóstico é do médico-veterinário, e a reabilitação conduzida por um veterinário fisiatra faz parte do tratamento.

Displasia coxofemoral no Pastor Alemão

O que é: a displasia coxofemoral é o desenvolvimento anormal da articulação do quadril. A articulação fica frouxa e instável e, com o tempo, evolui para doença articular degenerativa (artrose).

Por que o Pastor Alemão: a doença tem caráter hereditário, com forte influência genética, e aparece principalmente em cães de raças grandes a gigantes, de crescimento rápido. O Tratado cita o Pastor Alemão entre as principais raças acometidas, ao lado de Rottweiler, Labrador Retriever, Mastiff, São Bernardo e Golden Retriever.

O filhote predisposto nasce com o quadril normal e se torna displásico ao longo do crescimento. Entre os fatores externos que influenciam o aparecimento e a gravidade da displasia, o Tratado destaca a alimentação excessiva, o ganho de peso rápido, o momento da castração e a suplementação de cálcio.

Sinais que o tutor percebe:

  • Manca de uma ou das duas patas traseiras.
  • Reluta em se exercitar e tem dificuldade para levantar depois de descansar.
  • Tem dificuldade para subir escadas e rampas.
  • Corre “saltitando”, com as duas patas traseiras juntas.
  • Anda com passos curtos e rígidos e “rebola” o quadril.
  • Perde músculo na região do quadril e das coxas, enquanto as patas da frente ficam mais musculosas, porque o peso do corpo é jogado para a frente.

Gravidade: a displasia pode se manifestar ainda jovem, em cães de 4 a 12 meses de idade, geralmente de forma aguda, ou na fase crônica, com mais de 12 meses, quando os sinais estão ligados à artrose. Em alguns cães os sinais são ausentes ou muito discretos, e a displasia é descoberta por acaso em um raio-X. A dor pode vir da própria articulação e também dos músculos ao redor do quadril, e o esforço para compensar acaba sobrecarregando a coluna e as patas da frente.

Leia mais: displasia coxofemoral em cães: sinais, tratamento e reabilitação.

Hérnia de disco no Pastor Alemão

O que é: entre uma vértebra e outra existe o disco intervertebral, que funciona como amortecedor da coluna nos movimentos de caminhar, saltar e correr. Na doença do disco intervertebral, esse disco degenera e avança para dentro do canal da coluna, onde pode comprimir a medula espinal ou as raízes nervosas.

Por que o Pastor Alemão: o Tratado classifica os cães em raças condrodistróficas (como o Dachshund) e não condrodistróficas. O Pastor Alemão está entre as raças não condrodistróficas que mais aparecem na rotina com degeneração do disco. Nessas raças, a degeneração é mais tardia, vista a partir dos 5 anos de idade, e os sinais clínicos surgem em idade média de 6 a 8 anos.

Como costuma ser no Pastor Alemão: em raças não condrodistróficas, a forma típica é a hérnia protrusiva. O disco perde aos poucos a capacidade de amortecer, faz um abaulamento para dentro do canal e comprime a medula de forma lenta e crônica, e os sinais aparecem gradualmente. Na região lombar, essa hérnia predomina em cães de médio ou grande porte, geralmente com idade superior a seis anos, com evolução crônica. Mesmo assim, raças não condrodistróficas também podem ter hérnias agudas (extrusões), de início súbito. O Tratado também registra, embora seja mais raro, relatos de hérnia em Pastores Alemães no início da coluna torácica, entre as vértebras T2 e T3.

Sinais que o tutor percebe:

  • Dor nas costas e postura arqueada.
  • Andar cambaleante ou descoordenado (ataxia).
  • Fraqueza nas patas traseiras (paraparesia).
  • Patas que não se posicionam direito ao pisar (déficit proprioceptivo).
  • Dificuldade para urinar (retenção urinária).
  • Quando a compressão é na região lombossacra (final da coluna): dor intensa e manqueira de uma pata traseira, que pode parecer um problema ortopédico.
  • Em compressões mais severas das raízes nervosas, o cão pode lamber ou morder a cauda e os dedos.

Gravidade: vai de dor isolada até paralisia das patas traseiras. Se o cão perder a capacidade de andar, procure atendimento veterinário com urgência. Nas hérnias protrusivas e crônicas, típicas de raças maiores, a resposta ao tratamento tende a ser mais lenta que nos quadros agudos.

Leia mais: hérnia de disco em cães: tipos, sinais e reabilitação.

Displasia coxofemoralHérnia de disco (protrusiva)
Onde afetaArticulação do quadrilColuna (disco entre as vértebras)
Quando costuma aparecerDe 4 a 12 meses (forma jovem) ou com mais de 12 meses (forma crônica)Idade média de 6 a 8 anos em raças não condrodistróficas
O que o tutor vêManqueira traseira, dificuldade para levantar, “saltitar”, perda de músculo no quadrilDor nas costas, postura arqueada, andar cambaleante, fraqueza traseira
Como evoluiProgressiva, rumo à artroseLenta e crônica

Mancar da pata traseira é sempre problema de quadril?

Não. No Pastor Alemão, quadril e coluna podem produzir sinais parecidos. O Tratado aponta que a compressão de raízes nervosas na região lombossacra pode causar manqueira de uma pata traseira e simular um problema ortopédico, e lista a síndrome compressiva da cauda equina entre os diagnósticos diferenciais da displasia. Por isso, a avaliação veterinária é indispensável.

Como a reabilitação com o veterinário fisiatra ajuda o Pastor Alemão?

A reabilitação não desfaz a displasia nem apaga uma hérnia. O que ela faz é reduzir a dor, devolver músculo e movimento e melhorar a qualidade de vida, com um plano feito para cada fase da doença e integrado à conduta do médico-veterinário responsável, seja ela conservadora ou cirúrgica.

No quadril (displasia coxofemoral)

Segundo o Tratado, os objetivos da reabilitação no tratamento conservador são:

  • Reduzir a dor e a inflamação da articulação.
  • Melhorar a composição do líquido sinovial (o lubrificante natural da articulação), aliviando a pressão na cápsula articular.
  • Ganhar massa muscular para estabilizar a articulação, principalmente nos glúteos e na musculatura posterior da coxa.
  • Tratar contraturas e pontos-gatilho (nós musculares dolorosos), que podem comprometer a marcha e manter a dor crônica.

A melhora nem sempre salta aos olhos, por isso o veterinário fisiatra acompanha a evolução de perto. Em casa, o tutor costuma notar um cão mais disposto e ativo, que se alimenta melhor e volta a querer subir no sofá e no carro. As compensações nas patas da frente e na coluna também entram no plano.

Quando a cirurgia é o caminho, a reabilitação pode continuar ao lado dela.

Na coluna (hérnia de disco)

  • Orientação desde o início: na fase aguda, o repouso orientado pelo veterinário ajuda a evitar que o quadro piore.
  • Tratamento conservador quando indicado: fisioterapia e repouso fazem parte do tratamento.
  • Encaminhamento quando necessário: a piora do quadro leva à reavaliação pelo veterinário.
  • Pós-operatório: o momento de voltar à fisioterapia é combinado com o cirurgião.
  • Exercícios terapêuticos (cinesioterapia): têm papel central na recuperação, nas sessões e em casa, sob orientação do veterinário fisiatra.
  • Expectativa honesta: nas hérnias crônicas, a melhora costuma ser gradual. Em alguns pacientes, os principais ganhos são menos dor, mais qualidade de vida e mais funcionalidade.

No joelho (após cirurgia do ligamento cruzado)

No capítulo de reabilitação do ligamento cruzado do Tratado, a imagem que ilustra o uso de campos eletromagnéticos depois da TPLO (cirurgia que estabiliza o joelho após a ruptura do ligamento cruzado) é de um paciente Pastor Alemão. Nas cirurgias com corte ósseo, como a TPLO, os campos magnéticos pulsados podem ajudar na cicatrização do osso, além de analgesia, controle da inflamação e ganho de massa muscular. Saiba mais sobre a ruptura do ligamento cruzado em cães.

RecursoEm palavras simplesPara que serve, segundo o Tratado
Campos eletromagnéticos pulsados (magnetoterapia)Campo magnético aplicado sem dorControle da evolução da artrose no quadril; controle da inflamação no pós-operatório de coluna; cicatrização óssea após osteotomias
Fotobiomodulação (laserterapia)Luz terapêuticaPreservação da cartilagem do quadril; controle da inflamação no pós-operatório de coluna
Ultrassom terapêuticoOndas sonoras terapêuticasAlívio da dor e melhora da mobilidade do quadril
Esteira aquática (hidroesteira)Caminhar dentro da águaGanho de músculo e de amplitude de movimento com baixo impacto, depois que a dor cede
CinesioterapiaExercícios terapêuticos guiadosForça, equilíbrio e retorno funcional, nas sessões e em casa

De onde vêm as informações deste artigo?

As informações de saúde deste artigo vêm do Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, dos autores Jennifer Hummel, veterinária fisiatra e Fundadora da Mundo à Parte, e Gustavo Vicente, médico-veterinário especializado em fisioterapia e ortopedia, também Fundador. Foram usados os capítulos “Afecções da Articulação Coxofemoral” (Bruno Watanabe Minto, Fernando Yoiti Kitamura Kawamoto, Guilherme Galhardo Franco e Alefe Luiz Caliani Carrera), “Reabilitação da Coxofemoral” (Gustavo Vicente e Jennifer Hummel), “Doença do Disco Intervertebral” e “Reabilitação da Doença do Disco Intervertebral” (Jennifer Hummel) e “Reabilitação na Insuficiência do LCC” (Gustavo Vicente e Jennifer Hummel).

Onde levar o Pastor Alemão para uma avaliação de reabilitação?

A Mundo à Parte tem mais de 100 unidades em 9 países, com veterinários fisiatras que avaliam quadril, coluna e marcha e montam um plano de reabilitação para cada cão. Percebeu manqueira, dificuldade para levantar, dor nas costas ou um andar diferente no seu Pastor Alemão? Encontre a unidade Mundo à Parte mais perto de você e agende a avaliação do seu Pastor Alemão.

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Perguntas frequentes

O Pastor Alemão tem predisposição à displasia coxofemoral?

Sim. O Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais cita o Pastor Alemão entre as principais raças acometidas pela displasia coxofemoral, uma doença de caráter hereditário, com forte influência genética, que se manifesta principalmente em cães de raças grandes a gigantes e de crescimento rápido.

Com que idade aparecem os sinais de displasia e de hérnia de disco no Pastor Alemão?

Na displasia, os sinais podem surgir em cães jovens, de 4 a 12 meses, ou na fase crônica, com mais de 12 meses. Na hérnia de disco, as raças não condrodistróficas, grupo do Pastor Alemão, apresentam sinais em idade média de 6 a 8 anos.

A hérnia de disco do Pastor Alemão é igual à do Dachshund?

Não. O Dachshund é uma raça condrodistrófica e a mais vista na reabilitação por hérnia de disco. O Pastor Alemão é não condrodistrófico: nele, a forma típica é a hérnia protrusiva, que comprime a medula de forma lenta e crônica. Ainda assim, hérnias agudas também podem ocorrer em raças não condrodistróficas.

Se o Pastor Alemão manca da pata traseira, é sempre displasia?

Não. A compressão de raízes nervosas no final da coluna (região lombossacra) pode causar manqueira de uma pata traseira e simular um problema ortopédico. Por isso, a avaliação veterinária é indispensável.

A fisioterapia substitui a cirurgia?

Depende do caso, e as duas não competem. A escolha entre tratamento conservador e cirurgia é do veterinário, e a reabilitação pode acompanhar o antes e o depois.

Em quanto tempo o Pastor Alemão melhora com a reabilitação?

Varia de cão para cão, e a evolução é acompanhada pelo veterinário fisiatra. Nas hérnias de disco crônicas, a melhora costuma ser gradual, e na displasia o tutor costuma notar um cão mais disposto e ativo.