O Lulu da Pomerânia (Pomeranian, em inglês) é um cão de companhia de pequeno porte da família Spitz, alerta e muito ligado à família, e está entre as raças mais afetadas pela luxação de patela, condição em que a patela (popularmente chamada de rótula) perde o encaixe normal no sulco do fêmur por onde deveria deslizar. Estudos genéticos já identificaram alterações cromossômicas ligadas à luxação de patela nessa raça.
Se você convive com um Lulu, provavelmente já conhece a energia, a pelagem volumosa e o jeito atento de quem não deixa nada passar. Este guia reúne o que vale saber sobre a raça e, principalmente, sobre as patas traseiras dela: como reconhecer os sinais em casa, por que não esperar e como a reabilitação com veterinário fisiatra acompanha o cão antes e depois da cirurgia.
Em resumo:
- O Lulu da Pomerânia (Pomeranian) aparece na lista das raças mais comuns afetadas pela luxação de patela.
- Na raça, estudos genéticos encontraram alterações nos cromossomos ligadas ao problema, e a herdabilidade foi estimada em 0,44.
- O sinal mais típico é o “coice”: o cão estica a pata traseira para trás, e na maioria das vezes esse movimento devolve a patela ao lugar.
- A necrose asséptica da cabeça do fêmur (doença de Legg-Calvé-Perthes) afeta principalmente cães de raças pequenas e toy, em geral entre 4 e 11 meses de idade.
- A orientação é não esperar: ao notar qualquer sinal, procure avaliação veterinária.
- A reabilitação atua antes e depois da cirurgia.
De onde vem o Lulu da Pomerânia?
O nome vem da Pomerânia, região histórica às margens do mar Báltico, entre a atual Alemanha e a Polônia. O Lulu descende dos cães do tipo Spitz, uma família de cães do norte da Europa conhecida pela pelagem densa, pelas orelhas eretas e pela cauda enrolada sobre o dorso.
Com o tempo, a raça foi selecionada para tamanhos cada vez menores e ganhou fama como cão de companhia, especialmente depois de conquistar a realeza britânica, com destaque para a rainha Vitória. Por isso, no Brasil, também é comum ouvir o nome Spitz Alemão: o Lulu é considerado a menor variedade dessa família.
Como é o temperamento do Lulu da Pomerânia?
- Alerta: percebe qualquer movimento diferente e costuma avisar com latidos.
- Apegado: gosta de estar perto da família e acompanhar a rotina da casa.
- Curioso e ativo: tem muita energia para o tamanho e adora brincar.
- Inteligente: aprende com facilidade quando o treino usa recompensas e é consistente.
- Confiante: muitas vezes age como se fosse um cão bem maior.
Quais cuidados básicos o Lulu da Pomerânia precisa?
- Escovação frequente: a pelagem é dupla, com uma camada interna densa e fofa. Escovar com regularidade evita nós e deixa o pelo bonito, especialmente nas épocas de troca.
- Socialização desde cedo: contato com pessoas, outros cães e ambientes diferentes ajuda o Lulu a ser mais tranquilo no dia a dia.
- Atividade e estímulo mental: passeios, brincadeiras e jogos de faro gastam energia e reduzem o tédio.
- Treino de latido: como é um cão vigilante, vale ensinar desde filhote quando é hora de parar de avisar.
- Acompanhamento veterinário de rotina: o veterinário de confiança é quem orienta vacinas, alimentação e exames ao longo da vida.
Quais são as doenças mais comuns no Lulu da Pomerânia — e como a reabilitação ajuda?
Duas condições ortopédicas merecem atenção do tutor de Lulu. A primeira, e a que tem dados específicos da raça, é a luxação de patela: o Pomeranian está na lista das raças mais comuns afetadas, ao lado de Poodle, Yorkshire Terrier e Chihuahua. A segunda é a necrose asséptica da cabeça do fêmur, uma doença do quadril que afeta principalmente cães de raças pequenas e toy, como o Lulu.
O que é a luxação de patela?
A patela é o osso do joelho que desliza sobre o sulco troclear, uma espécie de trilho na ponta do fêmur, a cada movimento. Na luxação, ela perde esse encaixe e sai do trilho. A grande maioria das luxações é medial, com a patela saindo para o lado de dentro da pata, e os cães de pequeno porte são os mais afetados.
Um ponto importante: a luxação de patela não é uma doença em si, e sim um sinal clínico. Hoje ela é considerada uma alteração do desenvolvimento: normalmente o cão nasce normal e o problema aparece durante o crescimento ou mais tarde, com influência genética e ambiental. A luxação causada por trauma é extremamente rara em cães.
Por que o Lulu da Pomerânia tem predisposição à luxação de patela?
O capítulo do Tratado traz três dados que citam a raça diretamente:
| O que a ciência encontrou | O que isso quer dizer para o tutor |
| O Pomeranian está entre as raças mais comuns afetadas pela luxação de patela | O joelho merece atenção desde cedo na vida do Lulu |
| Estudos genômicos identificaram anomalias cromossômicas ligadas à luxação de patela no Pomeranian | Existe um componente genético estudado na raça |
| A herdabilidade da luxação de patela foi estimada em 0,44 em Pomeranians, acima dos 0,27 estimados em uma população de cães Kooiker | A herança genética tem peso relevante nessa condição dentro da raça |
A herdabilidade da luxação de patela tem chamado a atenção justamente pela alta ocorrência do problema em algumas raças. Além da raça, o capítulo aponta outros fatores:
- Porte: cães de pequeno porte têm 12 vezes mais risco de desenvolver luxação de patela do que os de grande porte.
- Sexo: as fêmeas são mais afetadas do que os machos.
- Castração: o momento da castração também está entre os fatores; converse com o veterinário sobre ele.
Quais sinais de luxação de patela o tutor de Lulu percebe em casa?
- O “coice”: o cão estica a pata traseira para trás. Na maioria das vezes, esse movimento faz a patela voltar ao sulco.
- Mancar que vai e volta em uma pata traseira (claudicação intermitente).
- Dor ao toque no joelho.
- Menos peso na pata afetada, com perda de músculo nela, e mais peso nas patas da frente, cujos músculos ficam mais desenvolvidos.
- Resistência a dobrar o joelho, o que favorece contraturas e perda de músculo mais cedo.
- Menos disposição e dificuldade para andar, com o passar do tempo.
Atenção: no começo, muitos cães não mostram sinal nenhum. A luxação de patela pode passar despercebida por anos, e alguns cães só começam a mancar quando surgem artrose ou ruptura do ligamento cruzado cranial.
Por que não vale esperar os sinais piorarem?
Porque as consequências para o joelho são sérias. Com o tempo, podem surgir lesões na cartilagem, osteoartrite (artrose), desvios nos ossos do fêmur e da tíbia e lesões no ligamento cruzado cranial. Nas luxações crônicas, esse ligamento fica sob tensão, porque o quadríceps desalinhado não consegue estabilizar o joelho.
Por isso, ao notar qualquer sinal, vale procurar avaliação veterinária.
O que esperar do tratamento da luxação de patela?
Com honestidade: com ou sem cirurgia, o desgaste da articulação do joelho vai acontecer com o tempo. É por isso que o acompanhamento continua depois da correção.
O que é a necrose asséptica da cabeça do fêmur?
A necrose asséptica da cabeça do fêmur é uma falta de irrigação sanguínea local, sem inflamação, na cabeça do fêmur, a parte do osso da coxa que se encaixa no quadril. Sem sangue, o osso dessa região morre e se deforma, o que faz o cão mancar da pata afetada e, com o tempo, leva ao desgaste da articulação.
| Ponto | O que o capítulo diz |
| Quem é mais afetado | Cães de raças pequenas, principalmente toy e terriers. Os exemplos citados são Yorkshire Terrier, West Highland White Terrier, Poodle Toy, Pug e Lhasa Apso |
| Idade | A maior parte dos pacientes tem entre 4 e 11 meses |
| Sexo | Sem preferência entre machos e fêmeas |
| As duas patas | Em aproximadamente 12 a 16,5% dos casos, os dois lados são afetados |
| Quando suspeitar | Cão jovem de pequeno porte mancando de uma pata traseira |
Sinais que o tutor pode notar:
- mancar que começa devagar, quase sempre de um lado só, e piora ao longo de 6 a 8 semanas;
- em casos mais graves, mancar de repente, mancar que vai e volta ou deixar de usar a pata;
- perda de músculo na pata, que na maioria das vezes é a queixa mais percebida;
- irritação, menos apetite e lambedura excessiva na pele da região.
Nos casos leves, a doença pode não dar sinais. O diagnóstico é feito pelo veterinário, com exame físico e exames de imagem. Um detalhe importante: a luxação de patela é um dos principais diagnósticos diferenciais, ou seja, as duas condições podem parecer semelhantes para o tutor. É o exame que separa uma da outra.
Tratamento: pode ser conservador (repouso, controle da dor, nutrição adequada e fisioterapia) ou cirúrgico, por exemplo com a retirada da cabeça e do colo do fêmur (excisão artroplástica) ou com a prótese total do quadril. A escolha é feita pela equipe veterinária para cada caso.
E a hérnia de disco no Lulu da Pomerânia?
Aqui, a informação é mais limitada, e vale ser preciso. No capítulo sobre hérnia de disco, o nome “Spitz”, sem especificar a variedade, aparece em uma lista de raças não condrodistróficas vistas na rotina com um padrão específico: o disco degenera de forma mais tardia, a partir dos 5 anos de idade, e vai se abaulando lentamente para dentro do canal da coluna, comprimindo a medula de forma crônica (a chamada protrusão do disco). O dado mais forte sobre a raça continua sendo o do joelho, mas essa é mais uma razão para levar a sério qualquer mudança no jeito de andar.
Como a reabilitação com veterinário fisiatra ajuda o Lulu da Pomerânia?
Na luxação de patela: objetivos conforme o grau
A luxação de patela é um problema mecânico: o quadríceps, músculo que estica o joelho, está desalinhado em relação ao eixo da pata. A cirurgia é o que corrige esse alinhamento. A reabilitação trabalha junto, com objetivos que mudam conforme o grau, definido pelo veterinário no exame.
| Situação | Objetivo da reabilitação |
| Graus I e II, sem desvios nos ossos | Aliviar a dor e melhorar a condição dos músculos, para sustentar a estabilidade do joelho |
| Antes da cirurgia | Preparar a musculatura para a cirurgia |
Antes da cirurgia de patela
Músculos contraturados e encurtados são difíceis de manusear durante a cirurgia, principalmente quando é preciso corrigir desvios nos ossos. A reabilitação antes da operação se mostra eficiente para:
- aumentar a amplitude de movimento;
- diminuir as contraturas;
- aliviar a dor.
Relaxar os músculos contraturados e ganhar um pouco de movimento ajuda o cão antes, durante e depois da cirurgia. Recursos como infrassom, ultrassom, alongamentos, massagem, radiofrequência, fotobiomodulação (laserterapia) e magnetoterapia auxiliam nessa fase.
Depois da cirurgia de patela
- No início: aliviar a dor, diminuir aderências, recuperar a mobilidade do joelho de forma leve, alongar os músculos de forma sutil e ajudar a consolidação do osso, quando houve correção óssea.
- Apoio da pata: a força da pata contra o chão ajuda a formar osso novo, e o apoio é estimulado conforme a evolução.
- Progressão gradual: conforme a recuperação avança, os exercícios ganham intensidade, respeitando cada paciente, com foco em massa muscular, mobilidade do joelho e em retardar o desgaste da articulação.
- Hidroesteira (esteira dentro da água): pode ser usada com baixo impacto, conforme a fase.
- Trabalho em equipe: o veterinário fisiatra trabalha junto com o cirurgião responsável.
E quando a cirurgia de patela não é o caminho?
Em alguns casos, a equipe veterinária opta pelo tratamento conservador. Aqui, a honestidade é importante: no tratamento conservador, a fisioterapia atua no alívio da dor, no controle da inflamação e na qualidade de vida. Em cães idosos ou com quadros crônicos, o plano também cuida das compensações do corpo, como dor no pescoço e nas costas.
Na necrose asséptica da cabeça do fêmur: depois da cirurgia
Após a cirurgia, a reabilitação pode ajudar a formar uma nova articulação funcional de tecido fibroso (a pseudoartrose), melhorar a massa muscular e a amplitude de movimento. Sem a cabeça do fêmur, quem passa a sustentar o quadril são os músculos e os tecidos ao redor da articulação, e por isso o trabalho muscular é central. Na excisão da cabeça e do colo do fêmur, o plano segue etapas:
- Logo após a cirurgia: alívio da dor, controle da inflamação e cicatrização, com recursos como crioterapia, fotobiomodulação e TENS, além de movimentação passiva lenta e leve, exercícios de equilíbrio leves, caminhadas em guia curta e massagem.
- Quando o cão apoia parte do peso sem dor: podem entrar exercícios como senta-e-levanta e deita-e-levanta.
- Hidroesteira: no momento definido pela equipe veterinária, começando com a água na altura do quadril e baixando o nível aos poucos até as atividades no chão.
- Fase final: exercícios de maior desafio, como elásticos de resistência, rampas mais inclinadas e degraus.
Com honestidade: a evolução varia de cão para cão, e a expectativa para cada caso é conversada com a equipe veterinária.
Quais cuidados ajudam em casa?
- Luxação de patela: siga a orientação sobre quais exercícios evitar em cada fase.
- Passeios com calma: depois da cirurgia de patela, os passeios seguem a orientação da equipe.
- Não teste a patela com as mãos: conferir se a patela sai do lugar com manobras manuais pode causar complicação no procedimento cirúrgico.
- Siga o plano individual: os exercícios mudam conforme a doença, a cirurgia e a fase. Um exercício evitado na luxação de patela pode ser indicado na recuperação do quadril, e vice-versa.
De onde vêm as informações deste guia?
As informações de saúde deste conteúdo vêm do Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, dos autores Jennifer Hummel, veterinária fisiatra e Fundadora da Mundo à Parte, e Gustavo Vicente, médico-veterinário especializado em fisioterapia e ortopedia e também Fundador da Mundo à Parte. O capítulo sobre luxação de patela é assinado por Daniel Tonin Benedetti, Alexandre Schmaedecke e Danilo Marques; o capítulo sobre afecções da articulação coxofemoral, por Bruno Watanabe Minto, Fernando Yoiti Kitamura Kawamoto, Guilherme Galhardo Franco e Alefe Luiz Caliani Carrera; os capítulos de reabilitação na luxação de patela e na coxofemoral, por Jennifer Hummel e Gustavo Vicente; e o capítulo sobre doença do disco intervertebral, por Jennifer Hummel. É o mesmo conhecimento que orienta os veterinários fisiatras da rede Mundo à Parte, presente em mais de 100 unidades em 9 países.
Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Seu Lulu está mancando ou dando “coice” com a pata traseira?
Não espere os sinais piorarem. Agende uma avaliação com um veterinário fisiatra na unidade Mundo à Parte mais perto de você: encontre a sua unidade aqui e marque a avaliação do seu Lulu.
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Perguntas frequentes
O Lulu da Pomerânia tem predisposição à luxação de patela?
Sim. O Pomeranian, nome da raça em inglês, está na lista das raças mais comuns afetadas pela luxação de patela. Estudos genômicos identificaram anomalias cromossômicas ligadas ao problema na raça, e a herdabilidade foi estimada em 0,44.
Meu Lulu dá um coice com a pata traseira. Pode ser luxação de patela?
Pode. Alguns tutores percebem o cão esticando a pata traseira para trás, como um coice. Na maioria das vezes, esse movimento devolve a patela ao sulco do fêmur. Mancar de forma intermitente e dor ao toque no joelho também são sinais. Quem confirma é o veterinário, no exame físico.
Todo Lulu com luxação de patela precisa operar?
Não existe regra única: a decisão é do veterinário para cada caso. A cirurgia é o que corrige o alinhamento do joelho; o tratamento conservador atua na dor, na inflamação e na qualidade de vida, e a reabilitação pode preparar a musculatura quando há cirurgia.
Meu Lulu é filhote e está mancando de uma pata traseira. O que pode ser?
Uma das possibilidades é a necrose asséptica da cabeça do fêmur, que afeta principalmente cães de raças pequenas e toy, em geral entre 4 e 11 meses. A luxação de patela também entra na lista de suspeitas. O diagnóstico é feito pelo veterinário.
Luxação de patela no Lulu tem cura?
A cirurgia corrige o alinhamento do joelho. Com ou sem cirurgia, o desgaste da articulação continua com o tempo, e por isso o acompanhamento segue depois da correção. A expectativa para cada caso é conversada com o veterinário.
O Lulu da Pomerânia tem hérnia de disco?
A informação disponível é limitada. No capítulo sobre hérnia de disco do Tratado, o “Spitz” aparece em uma lista de raças não condrodistróficas vistas na rotina com degeneração do disco mais tardia, a partir dos 5 anos, e compressão lenta da medula. O dado mais forte do Tratado sobre a raça é o da luxação de patela.
Seu Lulu está mancando ou dando “coice” com a pata traseira?
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