O Yorkshire Terrier, também chamado de Yorkie, é um cão de companhia de pequeno porte do grupo dos terriers, originário do norte da Inglaterra e conhecido pela pelagem longa e sedosa e pelo temperamento corajoso. É uma raça predisposta a quatro condições que afetam o movimento: luxação de patela, necrose asséptica da cabeça do fêmur (doença de Legg-Calvé-Perthes), hérnia de disco e ruptura do ligamento cruzado. Todas têm tratamento, e em cada uma delas a reabilitação com veterinário fisiatra faz parte do caminho.
Quem convive com um Yorkshire sabe quanta personalidade cabe naquele corpo pequeno. Este guia reúne o essencial sobre a raça e, principalmente, mostra como reconhecer em casa os sinais dessas quatro condições, por que vale agir cedo e o que a reabilitação faz em cada caso.
Em resumo:
- O Yorkshire Terrier aparece pelo nome entre as raças afetadas pela luxação de patela e pela necrose asséptica da cabeça do fêmur.
- A raça também é predisposta à hérnia de disco e à ruptura do ligamento cruzado.
- O sinal mais típico da luxação de patela é o “coice”: o cão estica a pata traseira para trás, e na maioria das vezes esse movimento devolve a patela ao lugar.
- Um Yorkshire jovem mancando de uma pata traseira precisa de avaliação: a necrose asséptica da cabeça do fêmur é uma das suspeitas.
- Na hérnia de disco, perder a capacidade de andar é sinal de urgência.
- Cães com luxação de patela têm risco maior de romper o ligamento cruzado.
- A reabilitação atua no tratamento conservador, antes e depois da cirurgia. Quando o cão trata a hérnia e não volta a andar, o andar medular é a reabilitação de última chance.
De onde vem o Yorkshire Terrier?
O nome entrega a origem: o Yorkshire Terrier surgiu no condado de Yorkshire, no norte da Inglaterra, durante a Revolução Industrial. Os ancestrais da raça eram pequenos terriers levados por trabalhadores escoceses que migraram para a região, e a função original era caçar ratos em fábricas de tecido e minas.
Com o tempo, o terrier caçador ganhou os salões da era vitoriana e se tornou um dos cães de companhia mais populares do mundo. A marca registrada da raça é a pelagem: longa, fina e sedosa, com textura parecida com a do cabelo humano, nas cores azul-aço e castanho-dourado. Os filhotes nascem mais escuros, e a cor definitiva aparece com o crescimento.
Como é o temperamento do Yorkshire?
- Corajoso: tem alma de terrier e muitas vezes age como se fosse um cão bem maior.
- Alerta: percebe qualquer movimento diferente em casa e costuma avisar com latidos.
- Afetuoso: é muito ligado à família e gosta de acompanhar o tutor pela casa.
- Curioso e ativo: tem energia de sobra para brincar e explorar.
- Determinado: pode ser teimoso, e por isso responde melhor a treinos com paciência e recompensas.
Quais cuidados básicos o Yorkie precisa?
- Escovação frequente: o pelo longo e fino embaraça com facilidade. Escovar com regularidade evita nós.
- Pelo longe dos olhos: o clássico topete preso com laço, ou uma tosa mais curta no rosto, mantém a visão livre.
- Banho e tosa na rotina: muitos tutores optam por uma tosa mais curta, que facilita a manutenção do dia a dia.
- Socialização desde cedo: contato com pessoas, outros cães e ambientes diferentes deixa o Yorkie mais tranquilo.
- Atividade e estímulo mental: passeios, brincadeiras e jogos de faro gastam a energia do terrier.
- Acompanhamento veterinário de rotina: o veterinário de confiança orienta vacinas, alimentação, higiene bucal e exames ao longo da vida.
Quais são as doenças mais comuns no Yorkshire — e como a reabilitação ajuda?
Quatro condições merecem atenção de todo tutor de Yorkshire. Duas estão nas patas traseiras (joelho e quadril), uma na coluna e outra de novo no joelho. A tabela abaixo resume o que observar:
| Condição | Onde afeta | Sinal que o tutor costuma perceber |
| Luxação de patela | Joelho | “Coice” com a pata traseira e mancar que vai e volta |
| Necrose asséptica da cabeça do fêmur | Quadril | Cão jovem mancando de uma pata traseira, com perda de músculo na pata |
| Hérnia de disco | Coluna | Dor, costas curvadas, fraqueza ou desequilíbrio nas patas |
| Ruptura do ligamento cruzado | Joelho | Mancar da pata traseira e, ao sentar, evitar dobrar o joelho |
O que é a luxação de patela no Yorkshire?
A patela (popularmente chamada de rótula) é o osso do joelho que desliza sobre o sulco troclear, uma espécie de trilho na ponta do fêmur, a cada movimento. Na luxação de patela, ela perde esse encaixe e sai do trilho. A grande maioria das luxações é medial, com a patela saindo para o lado de dentro da pata, e os cães de pequeno porte são os mais afetados.
O Yorkshire Terrier está na lista das raças mais comuns afetadas, ao lado de Poodle, Lulu da Pomerânia (Pomeranian), Chihuahua, Shih-tzu e outras. A luxação de patela não é uma doença em si, e sim um sinal clínico. Hoje ela é considerada uma alteração do desenvolvimento: normalmente o cão nasce normal e o problema aparece durante o crescimento ou mais tarde. Além da raça, o capítulo aponta outros fatores:
- Porte: cães de pequeno porte têm 12 vezes mais risco de desenvolver luxação de patela do que os de grande porte.
- Sexo: as fêmeas são mais afetadas do que os machos.
- Castração precoce: parece ser um fator de risco. Cães castrados têm três vezes mais chances de desenvolver a luxação de patela.
Sinais que o tutor percebe em casa:
- O “coice”: o cão estica a pata traseira para trás. Na maioria das vezes, esse movimento faz a patela voltar ao sulco.
- Mancar que vai e volta em uma pata traseira.
- Dor ao toque no joelho.
- Menos peso na pata afetada, com perda de músculo nela, e mais peso nas patas da frente.
- Resistência a dobrar o joelho, o que favorece contraturas e perda de músculo mais cedo.
- Menos disposição e dificuldade para andar, com o passar do tempo.
Atenção: a luxação de patela pode passar despercebida por anos. No capítulo de reabilitação, o exemplo usado é justamente o de um Yorkshire de 12 anos atendido por dor intensa no pescoço, em que a luxação de patela só foi encontrada durante o exame ortopédico.
Gravidade: as consequências para o joelho são sérias. Com o tempo, podem surgir lesões na cartilagem, artrose, desvios nos ossos do fêmur e da tíbia e lesões no ligamento cruzado. Por isso, a orientação é tratar cedo, mesmo com sinais leves: deixar a instabilidade de lado permite danos irreversíveis ao joelho. O lado bom é que o prognóstico é bom. Ele depende da experiência do cirurgião, da gravidade da luxação e de quanta artrose o joelho já tem, e mesmo casos avançados podem melhorar bastante depois da cirurgia.
O que é a necrose asséptica da cabeça do fêmur?
A necrose asséptica da cabeça do fêmur é uma falta de irrigação sanguínea local, sem inflamação, na cabeça do fêmur, a parte do osso da coxa que se encaixa no quadril. Sem sangue, o osso dessa região morre e se deforma. O cão passa a mancar da pata afetada e, com o tempo, a articulação se desgasta.
Os cães de raças pequenas são os mais afetados, principalmente os toys e terriers, e o Yorkshire Terrier é o primeiro exemplo citado, ao lado de West Highland White Terrier, Poodle Toy, Pug e Lhasa Apso. A maior parte dos pacientes tem entre 4 e 11 meses, sem preferência entre machos e fêmeas, e em aproximadamente 12 a 16,5% dos casos os dois lados são afetados.
Sinais que o tutor pode notar:
- mancar que começa devagar, quase sempre de um lado só, e piora ao longo de 6 a 8 semanas;
- perda de músculo na pata, que na maioria das vezes é a queixa mais percebida;
- irritação, menos apetite e lambedura excessiva na pele da região.
Gravidade: nos casos leves, a doença pode não dar sinais. Nos mais graves, o cão manca de repente, manca de forma intermitente ou deixa de usar a pata. O veterinário confirma a suspeita com o exame físico e o raio-X. A luxação de patela é um dos principais diagnósticos diferenciais, ou seja, as duas condições podem parecer semelhantes para o tutor, e é o exame que separa uma da outra.
Tratamento: o tratamento conservador resolve o mancar em menos de 25% dos casos. Por isso, o tratamento é preferencialmente cirúrgico, principalmente com a retirada da cabeça e do colo do fêmur (excisão artroplástica) ou com a prótese total do quadril. O sucesso da cirurgia em resolver o desconforto e o mancar fica em aproximadamente 84 a 100% dos casos. Como a condição é supostamente ligada a um gene recessivo, a recomendação aos tutores é a castração do cão.
O que é a hérnia de disco no Yorkshire?
O Yorkshire é uma raça predisposta à hérnia de disco. Entre as vértebras da coluna existem os discos intervertebrais, que funcionam como amortecedores dos movimentos de caminhar, saltar e correr. Na hérnia, o material do disco entra no canal da coluna e comprime a medula espinhal ou as raízes dos nervos.
Sinais que o tutor percebe dependem do ponto da coluna afetado:
- Pescoço: dor intensa, pescoço rígido e tremores musculares. Às vezes, o cão manca de uma pata da frente, perde músculo nela rapidamente e lambe demais os dedos.
- Meio das costas: postura curvada por causa da dor, desequilíbrio ao andar, fraqueza nas patas traseiras, dificuldade para urinar e, nos casos mais graves, perda da sensibilidade profunda nas patas.
- Final da coluna: dor, mancar de uma pata traseira, cauda sem tônus e, conforme a gravidade, perda do controle de urina e fezes.
Gravidade: vai de um quadro só de dor até a perda da capacidade de andar. Quanto mais material entra no canal e mais rápido ele atinge a medula, mais sérios são os sinais. O quadro também pode piorar quando o cão melhora um pouco no início e volta a pular do sofá. Os tratamentos conservadores, como repouso e fisioterapia, têm resultados favoráveis quando o movimento não foi tão afetado. A cirurgia é mais indicada para dor intensa e persistente ou quando o cão não consegue mais andar. Se o cão perde a sensibilidade profunda das patas, a cirurgia deve acontecer o mais rápido possível.
E se o cão não voltar a andar? Mesmo com o tratamento, alguns cães não recuperam a sensibilidade das patas traseiras. Para eles existe o andar medular (também chamado de caminhar espinhal): a reabilitação de última chance, que estimula os circuitos de reflexo da medula para que o cão volte a dar passos de forma involuntária. Por isso, perder a sensibilidade não deve desencorajar o tratamento nem a fisioterapia.
O que é a ruptura do ligamento cruzado no Yorkshire?
O Yorkshire também é uma raça predisposta à ruptura do ligamento cruzado. O ligamento cruzado cranial fica dentro do joelho e impede que a tíbia escorregue para a frente em relação ao fêmur, gire para dentro ou que o joelho se estenda além do normal. Quando ele se rompe, o joelho fica instável.
A ruptura pode acontecer de uma vez, em um trauma, mas na maioria das vezes é resultado de um desgaste progressivo do próprio ligamento. A obesidade é uma das condições que contribuem para esse desgaste.
Sinais que o tutor percebe em casa:
- Mancar da pata traseira, que em alguns casos acontece mesmo sem dor, só pela instabilidade;
- Ao sentar, o cão tenta dobrar o joelho o mínimo possível;
- Perda de músculo na coxa da pata afetada;
- Dor e estalos ao dobrar ou esticar o joelho, com inchaço na articulação;
- em alguns casos, o cão para de usar a pata.
Por que o joelho do Yorkie merece atenção redobrada: a luxação de patela e a ruptura do cruzado andam juntas. Nas luxações crônicas, o ligamento cruzado fica sob tensão, e cães com luxação de patela, corrigida ou não, têm risco maior de romper o cruzado. Um cão com luxação de patela antiga que começa a mancar de repente deve ser investigado para ruptura do cruzado.
Gravidade: a instabilidade do joelho leva a um desgaste progressivo da articulação em poucas semanas e, com frequência, a lesões no menisco. Depois de dias ou anos, o joelho do outro lado também pode ser afetado. A ruptura pode ser tratada de forma conservadora ou com cirurgia, e as técnicas cirúrgicas apresentam bons resultados na qualidade de vida e no retorno da pata à função. Com honestidade: nenhuma técnica interrompe de vez a artrose, e por isso o acompanhamento continua depois.
Como a reabilitação com veterinário fisiatra ajuda o Yorkshire?
A reabilitação não substitui a cirurgia quando ela é necessária: trabalha junto com ela. O plano é sempre individual, definido pelo veterinário fisiatra conforme a doença, a fase e o tratamento escolhido.
| Condição | O que a reabilitação busca |
| Luxação de patela | Aliviar a dor, fortalecer os músculos que estabilizam o joelho e preparar o cão para a cirurgia e para a recuperação depois dela |
| Necrose asséptica da cabeça do fêmur | Depois da cirurgia, formar uma nova articulação funcional e recuperar músculo e movimento |
| Hérnia de disco | Controlar a dor, recuperar a marcha e, quando o cão não volta a andar, estimular o andar medular |
| Ruptura do ligamento cruzado | Controlar dor e inflamação, reforçar os músculos estabilizadores do joelho e proteger a pata do outro lado |
Na luxação de patela
- Luxações mais leves, sem desvios nos ossos: o objetivo é aliviar a dor e melhorar a condição dos músculos, para sustentar a estabilidade do joelho.
- Luxações mais avançadas: o objetivo é preparar a musculatura para a cirurgia. Músculos contraturados são difíceis de manusear durante a operação, e a reabilitação antes dela aumenta a amplitude de movimento, diminui contraturas e alivia a dor. Recursos como infrassom, ultrassom, alongamentos, massagem, radiofrequência, fotobiomodulação (laserterapia) e magnetoterapia auxiliam nessa fase.
- Depois da cirurgia: aliviar a dor, diminuir aderências, recuperar a mobilidade de forma leve e estimular o apoio da pata o quanto antes. Os exercícios ganham intensidade aos poucos, com foco em massa muscular, mobilidade e em retardar o desgaste do joelho. Na hidroesteira (esteira dentro da água), a água fica na altura do quadril, para o joelho não dobrar por completo.
- Quando a cirurgia não é o caminho: em cães idosos em que a luxação é só um achado, como no caso do Yorkshire de 12 anos, é raro indicar cirurgia. Com honestidade: no tratamento conservador, a fisioterapia atua no alívio da dor, no controle da inflamação e na qualidade de vida.
Na necrose asséptica da cabeça do fêmur
Depois da cirurgia, qualquer que seja a técnica, a reabilitação é recomendada para ajudar a formar uma nova articulação funcional de tecido fibroso (a pseudoartrose) e para recuperar massa muscular e amplitude de movimento. Sem a cabeça do fêmur, quem passa a sustentar o quadril são os músculos e os tecidos ao redor da articulação, e por isso o trabalho muscular é central:
- Logo após a cirurgia: alívio da dor, controle da inflamação e cicatrização, com movimentação passiva leve, exercícios de equilíbrio leves, caminhadas em guia curta e massagem.
- Quando o cão apoia parte do peso sem dor, em torno da terceira semana: entram exercícios como senta-e-levanta e deita-e-levanta.
- Hidroesteira: assim que o cão está sem dor, começando com a água na altura do quadril e baixando o nível aos poucos.
- Fase final: exercícios de maior desafio, como rampas mais inclinadas e degraus.
Com honestidade: depois dessa cirurgia, o cão não terá marcha e postura totalmente normais, mas fica apto a se movimentar e a fazer as atividades do dia a dia. Se aparecerem estalos e dor ao movimentar a articulação, o veterinário fisiatra encaminha o cão ao ortopedista para revisão.
Na hérnia de disco
- Tratamento conservador, na fase aguda: a reabilitação pode ser suficiente para controlar a dor, reduzir a contração muscular e favorecer a recuperação.
- Repouso de verdade: o tutor recebe orientação detalhada para evitar saltos, corridas, brincadeiras e passeios até o quadro se estabilizar. Quando a dor passa, muitos cães voltam a pular nos móveis e subir escadas, e a restrição precisa continuar por algumas semanas, mesmo com a aparente melhora.
- Hérnia no pescoço: natação e hidroesteira ficam para depois, porque o cão estica o pescoço para manter a cabeça fora da água, o que pode aumentar a dor. Com a dor controlada, entram aos poucos.
- Depois da cirurgia: a reabilitação continua fundamental para controlar a inflamação, recuperar sustentação, equilíbrio, força e resistência, com recursos como fotobiomodulação e magnetoterapia.
- Cuidados de enfermagem: no cão que não anda, mudar a posição de deitar com regularidade, esvaziar a bexiga do jeito certo e manter o cão limpo e seco previnem feridas e infecções.
A recuperação costuma seguir a ordem inversa da perda: primeiro volta a sensibilidade profunda, depois os movimentos e a marcha, e por último o senso de posição das patas. Com honestidade: em lesões mais graves, algumas sequelas podem ser permanentes.
O andar medular, a reabilitação de última chance: quando o cão não recupera a sensibilidade profunda depois da cirurgia, a reabilitação passa a estimular os reflexos preservados da medula para desenvolver o andar medular. O trabalho combina hidroesteira, estímulo dos reflexos das patas, eletroestimulação para ganho de músculo e exercícios repetidos em casa, orientados e revisados pelo veterinário fisiatra. O desenvolvimento do andar medular é diretamente proporcional à quantidade de exercício realizada. Com honestidade: é um andar involuntário, com passos que não acompanham bem as patas da frente e dificuldade nas curvas, e o cão continua precisando de cuidados permanentes com bexiga, intestino e pele.
Na ruptura do ligamento cruzado
- Tratamento conservador: em cães pequenos, protocolos estruturados de reabilitação podem trazer evolução satisfatória. O foco é aliviar a dor, reduzir a inflamação dentro do joelho, estimular o apoio da pata e fortalecer os músculos da coxa que compensam parte da instabilidade. Controle de peso faz parte do plano.
- Patela e cruzado juntos: quando o cão tem luxação de patela e ruptura do cruzado ao mesmo tempo, a instabilidade aumenta e compromete o tratamento conservador. Nesses casos, a cirurgia é a abordagem prioritária, e a reabilitação vem junto para dar mais resultado a ela.
- Antes da cirurgia: fortalecer os músculos, tratar contraturas e reduzir a inflamação e a dor, com fotobiomodulação e magnetoterapia. Essa preparação favorece uma recuperação mais rápida depois.
- Depois da cirurgia: além de dor, inflamação e músculo, a reabilitação trabalha o equilíbrio e o controle do movimento, e cuida da pata do outro lado, que ficou sobrecarregada. Se o cão não começa a apoiar a pata no prazo esperado para a técnica, o veterinário fisiatra orienta a revisão com o ortopedista.
Quais cuidados ajudam em casa?
- Luxação de patela: evite exercícios que dobram muito o joelho, como senta-e-levanta, deita-e-levanta e natação, principalmente logo depois da cirurgia e nos casos em tratamento conservador.
- Não teste a patela com as mãos: conferir se ela sai do lugar com manobras manuais pode causar complicação no procedimento cirúrgico.
- Hérnia de disco: nada de saltos do sofá, escadas e corridas enquanto o veterinário não liberar.
- Ligamento cruzado: evite exercícios que dobram, esticam ou giram muito o joelho no início da recuperação, e atividades de alto impacto até a liberação.
- Siga o plano individual: um exercício evitado em uma condição pode ser indicado em outra. Por exemplo, o senta-e-levanta é evitado na luxação de patela e entra na recuperação do quadril.
De onde vêm as informações deste guia?
As informações de saúde deste conteúdo vêm do Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais, dos autores Jennifer Hummel, veterinária fisiatra e Fundadora da Mundo à Parte, e Gustavo Vicente, médico-veterinário especializado em fisioterapia e ortopedia e também Fundador da Mundo à Parte. O Tratado cita o Yorkshire Terrier pelo nome entre as raças afetadas pela luxação de patela e pela necrose asséptica da cabeça do fêmur. O capítulo sobre luxação de patela é assinado por Daniel Tonin Benedetti, Alexandre Schmaedecke e Danilo Marques; o capítulo sobre afecções da articulação coxofemoral, por Bruno Watanabe Minto, Fernando Yoiti Kitamura Kawamoto, Guilherme Galhardo Franco e Alefe Luiz Caliani Carrera; o capítulo sobre insuficiência do ligamento cruzado cranial, por Eloy Curuci e Wendell Barboza; o capítulo sobre doença do disco intervertebral, por Jennifer Hummel; o capítulo sobre caminhar espinhal, por Bruno Martins Araújo e Eduardo Alberto Tudury; os capítulos de reabilitação na luxação de patela, na coxofemoral e no ligamento cruzado, por Jennifer Hummel e Gustavo Vicente; e os capítulos de reabilitação na doença do disco intervertebral e no andar medular, por Jennifer Hummel. É o mesmo conhecimento que orienta os veterinários fisiatras da rede Mundo à Parte, presente em mais de 100 unidades em 9 países.
Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Seu Yorkshire está mancando, dando “coice” ou com dor para se mexer?
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Perguntas frequentes
Quais são as doenças mais comuns no Yorkshire Terrier?
O Yorkshire é predisposto a quatro condições que afetam o movimento: luxação de patela, necrose asséptica da cabeça do fêmur, hérnia de disco e ruptura do ligamento cruzado. As duas primeiras citam a raça pelo nome no Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais. Em todas, a reabilitação com veterinário fisiatra faz parte do tratamento.
Meu Yorkshire dá um coice com a pata traseira. Pode ser luxação de patela?
Pode. Alguns tutores percebem o cão esticando a pata traseira para trás, como um coice. Na maioria das vezes, esse movimento devolve a patela ao sulco do fêmur. Mancar de forma intermitente e dor ao toque no joelho também são sinais. Quem confirma é o veterinário, no exame físico.
Meu Yorkshire é filhote e está mancando de uma pata traseira. O que pode ser?
Uma das possibilidades é a necrose asséptica da cabeça do fêmur, que afeta principalmente cães de raças pequenas, toys e terriers, com o Yorkshire entre os exemplos, em geral entre 4 e 11 meses de idade. A luxação de patela também entra na lista de suspeitas. Só o exame, com apoio do raio-X, diferencia uma da outra.
Yorkshire com hérnia de disco volta a andar?
Muitos cães recuperam a marcha com tratamento conservador ou cirúrgico e reabilitação. A recuperação depende da gravidade da lesão, e perder a capacidade de andar é sinal de urgência. Quando o cão não recupera a sensibilidade das patas traseiras, o andar medular é a reabilitação de última chance: um andar involuntário, estimulado pelos reflexos da medula, que exige cuidados permanentes.
Por que a luxação de patela aumenta o risco de ruptura do ligamento cruzado?
Nas luxações crônicas, o músculo que estica o joelho fica desalinhado e o ligamento cruzado passa a trabalhar sob tensão. Por isso, cães com luxação de patela, corrigida ou não, têm risco maior de romper o cruzado. Se um Yorkshire com luxação antiga começa a mancar de repente, ele deve ser avaliado para ruptura do cruzado.
A fisioterapia substitui a cirurgia no Yorkshire?
Não. Quando a cirurgia é indicada, a reabilitação trabalha junto: prepara os músculos antes, acelera a recuperação depois e ajuda a proteger as articulações ao longo do tempo. Em casos em que a cirurgia não é indicada, o tratamento conservador com reabilitação atua na dor, na inflamação e na qualidade de vida.
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