Cachorro com dor na coluna: pode ser hérnia de disco?

Cachorro com dor na coluna: pode ser hérnia de disco?

Cachorro com dor na coluna costuma ficar curvado, com as costas arqueadas, rígido e resistente a se mexer, e pode vocalizar de dor ao se movimentar. A hérnia de disco é uma das causas possíveis, mas outros problemas da coluna podem dar sinais parecidos. O que fazer: manter o cão quieto, sem saltos nem escadas, não medicar por conta própria e procurar avaliação veterinária o quanto antes.

A postura curvada tem explicação. Diante da dor, o corpo aumenta a contração da musculatura ao longo da coluna para limitar o movimento do trecho afetado e reduzir o desconforto. É um mecanismo de proteção, e entender o que está por trás dele é o primeiro passo para tratar bem essa dor.

Pode ser hérnia de disco?

Pode. A hérnia de disco acontece quando o disco que amortece o impacto entre duas vértebras se degenera e parte dele invade o canal da coluna, comprimindo a medula espinhal ou as raízes dos nervos. É uma condição muito comum, responsável por até 3,7% das consultas veterinárias em cães. E a dor muda de cara conforme o trecho da coluna atingido.

Dor no pescoço (região cervical)

As hérnias no pescoço respondem por 12,9 a 25,4% dos casos em cães. Ali o material do disco tende a se alojar nas laterais, onde saem as raízes dos nervos. Por isso, os sinais mais comuns são dor intensa, pescoço rígido e tremores musculares, muitas vezes sem alteração no andar. Também podem aparecer:

  • mancar de uma pata, com perda rápida de músculo nela;
  • lamber demais os dedos, por formigamento causado pelo nervo comprimido, às vezes a ponto de se machucar;
  • crises de dor intensa, com vocalização e resistência a se mexer.

Entre as raças condrodistróficas, o Dachshund e o Beagle são as mais acometidas no pescoço. Entre as não condrodistróficas, o Labrador e o Rottweiler são os mais predispostos a hérnias na parte baixa do pescoço.

Dor no meio das costas (região toracolombar)

É onde está a maioria das hérnias: de 66 a 87% dos casos em cães. O sinal típico é o cachorro curvado de dor, o que o veterinário chama de postura cifótica. Nessa região, a dor pode vir acompanhada de desequilíbrio e fraqueza nas patas de trás. Se isso já está acontecendo, leia também o guia sobre cachorro arrastando as patas.

Dor no final da coluna (região lombossacra)

Ali passam as raízes nervosas que formam a cauda equina. Quando são comprimidas por uma hérnia, é comum uma dor neuropática intensa, ou seja, a dor que vem do próprio nervo. O cão pode mancar de uma pata traseira, como se fosse um problema ortopédico, e em compressões mais severas pode ter a cauda flácida ou perder o controle do xixi e do cocô.

Quem tem mais risco?

Nas raças condrodistróficas, como Dachshund, Beagle, Pequinês, Lhasa Apso e Shih Tzu, os sinais aparecem com mais frequência entre 3 e 7 anos e são raros antes dos 2. Nas não condrodistróficas, como Labrador, Pastor Alemão, Boxer e Rottweiler, a idade média é de 6 a 8 anos. Nesses cães, predomina a hérnia protrusiva, que se instala aos poucos e muitas vezes vem associada a outras doenças degenerativas da coluna.

Vale saber: nem toda hérnia dói. A que surge depois de um trauma ou de um exercício muito intenso, por exemplo, costuma não doer ao toque. Por isso, sinais como fraqueza ou desequilíbrio merecem avaliação mesmo sem dor aparente.

Outras causas possíveis

Dor na coluna não é sinônimo de hérnia. O Tratado lista outros problemas que podem dar sinais parecidos e que precisam ser diferenciados da hérnia de disco:

  • tumores nas vértebras (neoplasias vertebrais);
  • discoespondilite;
  • fraturas, luxações e subluxações;
  • outras afecções dos ossos e das articulações.

O capítulo cita ainda outras condições que o tutor pode ouvir na consulta:

  • Espondilose deformante: pontes de osso entre as vértebras, que o corpo forma para estabilizar um trecho com muita mobilidade. Pode estar associada às hérnias protrusivas.
  • Espondilomielopatia cervical e estenose lombossacra: doenças degenerativas da coluna que costumam aparecer junto com as hérnias protrusivas.
  • Embolismo fibrocartilaginoso: condição ligada ao disco intervertebral, mas com mecanismo diferente da hérnia.

Quando procurar o veterinário o quanto antes

Os sinais podem piorar rapidamente. Procure avaliação veterinária o quanto antes se o seu cão está com dor na coluna e, principalmente, se ele:

  • começou a andar desequilibrado, sem força nas patas ou arrastando as patas;
  • não consegue urinar ou perdeu o controle do xixi e do cocô;
  • vocaliza de dor ao se mexer ou ao ser tocado;
  • está com o pescoço rígido ou curvado de dor.

Dor na coluna em cachorro: o que fazer até a consulta

  • Mantenha o cão quieto: nada de saltos, corridas, brincadeiras e passeios.
  • Evite móveis e escadas: mesmo que ele pareça melhor.
  • Não medique por conta própria: qualquer remédio para dor deve ser prescrito pelo veterinário.

Como é feito o diagnóstico?

Pelos sinais observados em casa não é possível saber se a dor vem de uma hérnia de disco ou de outra causa. A confirmação depende da avaliação veterinária e, quando o veterinário indicar, de exames complementares. Exames, tratamento e tempo de recuperação são definidos pelo veterinário para cada caso.

Como a fisioterapia ajuda a controlar a dor

A fisioterapia, conduzida por um veterinário fisiatra, ajuda a controlar a dor, reduzir a contração muscular e favorecer a recuperação funcional. Ela faz parte do tratamento com e sem cirurgia e, quando há cirurgia, a reabilitação continua sendo importante depois do procedimento.

Ao longo da reabilitação, o trabalho também busca devolver mobilidade, equilíbrio e força. Os exercícios terapêuticos são orientados pelo veterinário fisiatra, tanto nas sessões quanto em casa, e a participação do tutor faz diferença. Para alguns cães que não recuperam a marcha, existe ainda a possibilidade do andar medular, avaliada pelo veterinário para cada caso.

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Perguntas frequentes

Cachorro com dor nas costas: o que fazer em casa?

Mantenha o cão quieto, sem saltos, escadas, móveis, corridas e passeios, e não dê remédio por conta própria. Os sinais podem piorar rapidamente, por isso procure avaliação veterinária o quanto antes.

Por que o cachorro fica curvado quando sente dor na coluna?

A postura curvada e a musculatura contraída ao longo da coluna são um mecanismo de proteção: limitam o movimento do trecho afetado e reduzem o desconforto. É um sinal de dor que merece avaliação.

Por que meu cachorro com dor no pescoço lambe tanto as patas?

Quando o disco comprime a raiz de um nervo, pode surgir formigamento no membro afetado, e o sinal que o tutor percebe é a lambedura excessiva dos dedos. Em casos mais intensos, o cão chega a se machucar.

Dor na coluna em cachorro é sempre hérnia de disco?

Não. Tumores nas vértebras, discoespondilite, fraturas, luxações, subluxações e outras afecções dos ossos e das articulações também podem causar sinais parecidos. Só a avaliação veterinária diferencia uma causa da outra.

Gato também tem dor na coluna por hérnia de disco?

Tem, mas é bem mais raro: a frequência cai para 0,24% nos gatos, contra quase 4% nos cães. Os sinais aparecem em geral entre 3 e 9 anos e vão de dor apenas até paralisia com incontinência. O tipo mais comum nos gatos costuma não doer ao toque.

Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Fonte: Tratado de Fisioterapia e Fisiatria de Pequenos Animais (2ª ed.), capítulo 43 – Doença do Disco Intervertebral.