A displasia de cotovelo é vista nos cães como dificuldade em flexionar e estender o cotovelo, dor e crepitação na movimentação dessa articulação. Em casa alguns sinais que podem ser percebidos pelos tutores incluem claudicação (mancar), restrição em o animal se levantar, recusar descer e subir de objetos, escadas e veículos, passar a comer deitado ao invés de em pé.
É uma doença causada por uma incongruência articular do cotovelo composta por um conjunto de quatro alterações, como serão vistas a seguir. Pode acontecer em animais jovens e idosos.
Fragmentação do processo coronoide (FPC)
A etiologia ainda é desconhecida, mas se sugere duas teorias: (1) a FPC pode resultar de uma lesão de osteocondrose em que a destruição da ossificação endocondral do processo coronoide o deixa vulnerável a degeneração, necrose e formação de fissuras da cartilagem; ou (2) uma incongruência articular no cotovelo congênita (de nascimento), pelo crescimento não sincronizado entre rádio e ulna (que faz que a ulna fique mais longa que o rádio por um tempo durante o processo de crescimento) pode resultar em aumento nas forças de sustentação de peso sobre o processo coronoide medial, o que precipita a formação de fissuras e fragmentação.
Geralmente afetam-se cães de raças grandes (Labradores, Goldens, Rotweillers, Pastores Alemães, Chow-chows…). O processo patológico inicia quando os cães são imaturos, com os sinais clínicos ficando aparentes pela primeira vez entre 5-7 meses de idade.
Ocorre uma claudicação de membro dianteiro, que piora após o exercício, podendo ser aguda ou crônica. Normalmente, os tutores relatam que o animal fica rígido pela manhã ou após o repouso. Pode haver histórico de traumatismo concomitante.
A marcha pode ser rígida e caso encontre-se presente claudicação bilateral (nos dois membros anteriores), o animal pode caminhar com os passos encurtados.

 

Deformidade de crescimento de rádio e ulna

Deformidades de crescimento correspondem à conformação anormal de um membro após o fechamento prematuro de uma fise.
Ocorrem frequentemente por causa do sistema ósseo pareado e da forma exclusiva da fise ulnar distal. Sendo o crescimento sincronizado do rádio e da ulna em cães essencial para o desenvolvimento de um membro anterior normal. O rádio recebe 40% de seu comprimento a partir da fise proximal e 60% a partir da fise distal, enquanto 85% do comprimento ulnar provém da fise distal, com a fise proximal contribuindo com apenas 15%.
Na maioria dos cães, o crescimento se acelera com rapidez durante o 4º a 6º mês e diminui no 9º ou 10º mês. Esse período varia de acordo com a raça (cães menores amadurecem mais rápido que cães maiores), logo é uma alteração que inicia em cães durante o primeiro ano de vida.
Então, as deformidades angulares dos membros podem decorrer de más-formações ósseas, consolidação inadequada de fraturas ou fechamento precoce das linhas fisárias dos ossos longos.
Como consequência a deformidade de crescimento de rádio e ulna, o animal apresentará displasia de cotovelo e alteração de desvio angular em articulação do carpo.

Identificando esses sinais quando começar a fisioterapia?
Quanto antes conseguir começar melhor! Após a decisão sobre o tratamento (cirúrgico ou conservador), a fisioterapia deve iniciar para reduzir a dor causada pelos processos degenerativos decorrentes da Displasia de Cotovelo.

Não união do processo ancôneo (NUPA)

É uma doença que afeta cães de grande porte, em fase de crescimento, em que o processo ancôneo não forma união óssea a ulna (osso do antebraço). O processo ancôneo surge como um centro secundário de ossificação no cotovelo com 11 a 12 semanas de idade. Ele não se funde a ulna antes de 4 a 5 meses de idade, portanto o diagnóstico de NUPA não pode ser feito antes dessa idade.
A falha na ossificação endocondral oportuna da ligação do processo ancôneo com a ulna induz espessamento, necrose e fissuras de cartilagem. O estresse de sustentação de peso nessa cartilagem anormal causa a falha na união da ulna.
O animal apresenta-se com claudicação no membro afetado, dor, dificuldade em estender e flexionar o cotovelo e edema.